100 anos de rádio no Brasil: história e importância

Rebeca Kroll

100 anos de rádio no Brasil: história e importância
Fotos: Nathália Schneider (Diário)

No dia 7 de setembro o rádio completa um século de chegada ao território nacional. O veículo foi inaugurado oficialmente em 1922, nas comemorações do centenário da Independência, com a transmissão da fala do presidente Epitácio Pessoa na abertura da radiotelefonia brasileira. 

Desde então, se consolidou como um dos mais importantes meios de comunicação da atualidade. Com o surgimento da televisão e o advento da internet, muitos acreditaram que o rádio seria extinto. No entanto, ele se adaptou às mudanças e continua sendo uma das plataformas mais consumidas pelos brasileiros.

Conforme o relatório da Kantar IBOPE Media de 2021, o consumo de rádio aumentou 186% nos últimos dois anos, com destaque para a Região Sul. Cerca de 85% das pessoas declararam que se informam e se divertem através da plataforma diariamente. Esse cenário continua forte devido a sua capacidade de se reinventar de acordo com as novas tecnologias.

Passados 100 anos, o rádio continua sendo hoje, o veículo de maior alcance em todo o território brasileiro, atingindo as regiões mais remotas do país e as mais diferentes classes sociais. Além disso, as emissoras têm passado por processos de digitalização que abrem novas dimensões em versatilidade, portabilidade e qualidade técnica das transmissões.

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A chegada no Brasil

Após a estreia das transmissões em 1922, o médico Roquette Pinto convenceu a Academia Brasileira de Ciências a patrocinar a criação da Rádio Sociedade do Rio de Janeiro. A partir disso, no dia 30 de abril de 1923, com um transmissor doado pela Casa Pekan, de Buenos Aires, foi instalada a primeira estação na Escola Politécnica, na então capital federal.

Em dois anos (1923- 1924) já eram muitas as emissoras em operação. No Rio Grande do Sul, a Sociedade Rádio Pelotense, de Pelotas, e em Porto Alegre, a Rádio Sociedade Gaúcha, foram as pioneiras da região. Entretanto, foi em 1931 no governo de Getúlio Vargas que o meio de comunicação explodiu por todo o país. O executivo adotou integralmente o modelo de radiodifusão norte-americano, concedeu canais particulares e legalizou a propaganda comercial.

Desse modo, o rádio se tornou o veículo mais popular da época. Em 1936 , surgiu a Rádio Nacional do Rio de Janeiro que se tornou a emissora mais importante do país, com programas jornalísticos históricos, como o Repórter Esso, e radionovelas de sucesso. Além disso, os programas musicais e de auditório conquistaram as massas.

Daí em diante a plataforma se consagrou como líder de audiências e se popularizou cada vez mais. No final dos anos 1990 as primeiras rádios surgiram na internet e em 2005 ocorreram as primeiras transmissões de rádio no sistema digital.

A consolidação em Santa Maria

Nos anos 1930, havia um crescente interesse pela radiodifusão em Santa Maria. Entre 1931 e 1935, houve três iniciativas na cidade, e duas delas chegaram a atuar por pouco tempo: a Rádio Sociedade Cultura e a Rádio Sociedade Santa Maria.

Em 1940, o advogado Carlos Alberto Brenner instalou um serviço de alto-falantes na esquina da Rua Dr. Bozano com a Praça Saldanha Marinho. A partir disso, veio a ideia de criar uma emissora que realmente perdurasse e se desenvolvesse no município.

Então, no dia 13 de fevereiro de 1942 foi convocada uma assembleia de acionistas no Clube Caixeiral que constituiu oficialmente a Rádio Imembuí. De acordo com o radialista Cláudio Zappe que trabalha no meio há 62 anos, depois desta chegada várias outras estações surgiram na cidade.

– Quando a Imembuí surgiu o rádio estava recém engatinhando, então cada cidade que passava a ter um gerava uma verdadeira euforia na população. A segunda emissora foi a rádio Guarathan, a terceira foi a Medianeira e na sequência a Santamariense, todas emissoras AM na época. As primeiras FM’s foram a Rádio Cultura e a Rádio Atlântida – pontua.

Atualmente o município conta com dez emissoras comerciais locais. Para Zappe, as rádios regionais são muito importantes, pois em muitas cidades pequenas elas são o único veículo de informações da comunidade.

–Eu não tenho dúvidas que o rádio vai durar mais 100 anos, pois os maiores obstáculos já foram enfrentados e os próximos também serão. O rádio é eterno, por mais que surjam novas tecnologias acredito que ele vai sempre permanecer – afirma o radialista.      

Rádio CDN

Em 14 de julho de 1980, foi fundada a Rádio Cultura FM, que, depois, passaria a ser a CDN. Até 2001, a emissora estava vinculada à rede Antena 1, sediada em São Paulo. Após esse período, a estação fechou parceria com a RBS. Na sequência, a Rádio Cultura passou a se chamar CDN, com programação voltada ao jornalismo, e foi a primeira emissora FM no interior do Estado com a grade de programas focada em notícias.

Em 2007, a CDN voltou ao formato musical pela Antena 1 e, até 2021, permaneceu com o nome Cultura FM. No mesmo ano, resgatou o nome Central Diário de Notícias e passou a integrar o Grupo Diário de Santa Maria.

De acordo com o coordenador da rádio, Pedro Pavan, a CDN foi criada com o intuito de preencher uma lacuna de jornalismo que a região pedia e precisava. São mais de 20 programas, todos os dias da semana, com conteúdos sempre atualizados e com a participação ampla da comunidade.

– O rádio, a partir das novas tecnologias, também se reinventou. Hoje, assim como na própria programação do Grupo Diário, a CDN está inserida em um contexto multimídia, aliando outras plataformas digitais à rotina. Por isso, ele vai durar mais 100, 200, 300 anos e assim por diante – comenta.

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